Boudoir. Quando a decisão é escolher-se a si própria
- Ana Antunes

- 28 de fev.
- 2 min de leitura
Há clientes que chegam numa fase específica da vida. E há mulheres que ficam.

Conheci-a na primeira gravidez. Fotografámos a descoberta, a transformação, o início de uma família. Depois veio a segunda filha. Vieram retratos de família, memórias que crescem com o tempo, fases bonitas que passam demasiado depressa. Ao longo destes anos, continuou sempre a escolher o meu olhar para contar a sua história. E isso, para mim, é profundamente especial. É confiança. É credibilidade.
É saber que o meu trabalho faz sentido na vida real de alguém.
Mas desta vez foi diferente.


Desta vez não veio como mãe. Não veio com o marido. Não veio para registar a família. Veio sozinha.
Agendou uma sessão boudoir com uma intenção muito clara. Queria um momento só dela.
Queria sentir-se mulher, para além de todas as funções que ocupa diariamente. Queria elevar a autoestima, reconectar-se com o seu corpo, olhar para si com mais presença e orgulho.


Sim, existia também a vontade de surpreender o marido, companheiro de viagem de tantos anos. Um álbum íntimo, elegante e sensual é sempre um presente marcante. Mas a decisão não nasceu para ele. Nasceu nela.
E isso muda tudo.


Há uma força silenciosa numa mulher que já viveu tantas fases e, ainda assim, decide escolher-se. Durante a sessão senti exatamente isso. Uma serenidade madura, uma confiança tranquila, uma entrega consciente.
Não era sobre provar nada a ninguém. Era sobre sentir-se bonita na sua própria pele.


O boudoir tem esta beleza rara. Não transforma. Revela.
Recorda à mulher que ela continua inteira, feminina, desejável e forte, mesmo depois de tantas entregas aos outros.


Depois de anos a fotografar a sua família, foi tempo de a fotografar a ela.

E acompanhar esta evolução, esta passagem natural de fases, emociona-me profundamente. Porque no fundo é isto que eu faço. Não fotografo apenas momentos. Acompanho mulheres na sua história.

E, por vezes, a parte mais poderosa dessa história começa quando uma mulher decide olhar para si e dizer: agora é por mim.


E talvez seja essa a fase que tantas mulheres adiam. A fase em que deixam de esperar pelo momento perfeito e percebem que não precisam de uma ocasião especial para se celebrarem. Precisam apenas de decidir. De se escolher a si, antes de tudo o resto.
Se sentes que já deste tanto aos outros e que está na altura de te voltares a escolher, talvez este seja o teu sinal silencioso. Um momento só teu pode ser mais transformador do que imaginas.
Um beijinho Ana




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